O que é delirium?
Delirium é uma alteração aguda do estado mental. O cérebro, por algum motivo, perde temporariamente a capacidade de funcionar de forma organizada.
A pessoa que desenvolve delirium pode ficar confusa, desorientada, agitada ou, ao contrário, muito quieta e sonolenta. Em alguns casos, ela vê ou escuta coisas que não existem.
O ponto mais importante: delirium aparece de repente. Em horas ou dias — não em meses.
Como reconhecer o delirium?
Os sinais mais comuns são:
Confusão que surgiu de forma rápida
Dificuldade para prestar atenção ou manter uma conversa
Agitação, inquietação, tentativa de sair da cama
Sonolência excessiva e dificuldade para acordar
Falar coisas sem sentido
Ver pessoas ou coisas que não estão ali
Piora no fim do dia ou à noite
Alternância entre momentos de lucidez e confusão
Um sinal muito importante para a família: a pessoa "não está sendo ela mesma" — e isso aconteceu de forma repentina.
Por que o delirium acontece?
O cérebro do idoso é mais vulnerável a qualquer situação que cause estresse no corpo. Delirium geralmente tem uma causa identificável, como:
Infecção (urinária, pulmonar, outros focos)
Internação hospitalar
Cirurgia ou anestesia
Desidratação
Dor não controlada
Remédios (especialmente os que agem no sistema nervoso)
Privação de sono
Troca de ambiente
Quanto mais fatores estiverem presentes ao mesmo tempo, maior o risco.
Delirium é o mesmo que demência?
Não.
Delirium começa de forma súbita e, na maioria dos casos, tem causa tratável. A demência se desenvolve ao longo de meses ou anos, de forma progressiva.
É possível, no entanto, que uma pessoa com demência desenvolva delirium — e isso dificulta bastante o reconhecimento. Quando alguém já tem demência, qualquer piora rápida deve levantar a suspeita de delirium sobreposto.
Delirium tem tratamento?
Sim. O tratamento começa pela identificação e correção da causa.
Além disso, medidas simples fazem diferença:
Manter a pessoa orientada (dizer o dia, o local, o que está acontecendo)
Garantir boa iluminação durante o dia
Permitir sono à noite
Manter óculos e aparelho auditivo em uso
Estimular movimento quando possível
Presença de familiar próximo
Medicamentos para agitação são usados com cautela, apenas quando necessário, pois podem prolongar o delirium.
O delirium passa?
Na maioria dos casos, sim — mas pode levar dias ou semanas, e em alguns pacientes, especialmente idosos com demência subjacente, a recuperação é incompleta.
Após um episódio de delirium, é comum que a família note que "o idoso não voltou ao que era antes". Isso acontece. O delirium pode ser o ponto de virada em uma trajetória de declínio que já estava em curso — ou pode acelerar uma demência que ainda não havia se manifestado claramente.
Por isso, após um episódio de delirium, uma avaliação cognitiva formal é importante.
Quando procurar avaliação?
Confusão mental de início súbito em um idoso
Agitação ou sonolência intensa sem explicação clara
Após internação, cirurgia ou infecção grave
Idoso que "ficou diferente" depois de um episódio agudo
O delirium é uma emergência médica. Não espere para buscar avaliação.
Perguntas frequentes
Delirium é reversível? Na maioria dos casos, sim — desde que a causa seja identificada e tratada. Mas a recuperação pode ser lenta, especialmente em idosos fragilizados ou com demência.
Toda confusão no idoso é delirium? Não. Confusão mental pode ter várias causas. Mas todo episódio de confusão de início rápido em um idoso deve ser investigado com urgência.
Anestesia causa delirium? A cirurgia e a anestesia são fatores de risco reconhecidos para delirium, especialmente em idosos. Não é a anestesia isoladamente, mas o conjunto: estresse cirúrgico, dor, medicações, ambiente hospitalar e privação de sono.
Quem tem mais risco de delirium? Idosos com mais de 75 anos, com demência prévia, com perda auditiva ou visual, desnutridos, com histórico de AVC ou com uso de muitos medicamentos.
Fontes
Inouye SK, et al. Delirium in elderly people. The Lancet. 2014;383(9920):911–922.
American Geriatrics Society Expert Panel. Clinical Practice Guideline for Postoperative Delirium in Older Adults. JAGS. 2015.
Oh ES, et al. Delirium in Older Persons. JAMA. 2017;318(12):1161–1174.
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Diretrizes em Geriatria, 2023.