Biomarcadores de Alzheimer: o que são, para que servem e quanto custam

"Existe exame de sangue para Alzheimer?" É uma das perguntas que mais recebo no consultório. A resposta, hoje, é sim — mas com ressalvas importantes que fazem diferença na hora de decidir se vale a pena pedir.

Biomarcadores são substâncias medidas no sangue, no líquor ou detectadas por exame de imagem que indicam a presença de placas de beta-amiloide ou emaranhados de proteína tau no cérebro — as duas alterações biológicas que definem a doença de Alzheimer. Eles não substituem a consulta clínica. Servem para confirmar ou descartar uma suspeita que já existe.

Existem três formas de investigar

1. Exame de sangue
É a novidade dos últimos anos. O mais estudado é a p-tau217, tau fosforilada dosada no plasma. No Brasil, o principal exame comercial é o PrecivityAD2 (laboratório Fleury, com parceria internacional), que combina p-tau217 com a razão Aβ42/Aβ40. Outros laboratórios — Richet, DASA/Hermes Pardini, Bioclínico — já oferecem exames semelhantes.

2. Líquor (punção lombar)
Mede diretamente no líquido que banha o cérebro os níveis de beta-amiloide e tau. É o método mais tradicional entre os biomarcadores "invasivos".

3. PET amiloide (ou PET tau)
Exame de imagem que mostra diretamente as placas no cérebro. É considerado o padrão-ouro de comparação para os outros dois métodos.


O exame não é para todo mundo

Isso é o ponto mais importante e o que menos as pessoas entendem. Biomarcador de Alzheimer não é check-up. Ele é indicado quando:

Pedir o exame em quem não tem sintoma nenhum, "por prevenção" ou por ansiedade familiar, não tem indicação validada e pode gerar mais confusão do que resposta.

Resultado positivo não é igual a "tem demência"

Este é o segundo ponto que preciso deixar claro para todo paciente e família. Um biomarcador positivo mostra que existe patologia de Alzheimer no cérebro — não confirma, sozinho, que a pessoa vai desenvolver ou já tem demência. É possível ter placas amiloides no cérebro sem apresentar sintomas relevantes hoje.

O diagnóstico de Alzheimer continua sendo clínico. O biomarcador entra como uma peça a mais — junto com a avaliação cognitiva, a história contada pela família e, quando necessário, exames de imagem estrutural. A interpretação sempre precisa ser feita por quem está acompanhando o caso, considerando idade, outras doenças (diabetes, hipertensão, função renal) e uso de medicações, que podem alterar os níveis dos marcadores.

Perguntas frequentes

Todo idoso com esquecimento deve fazer o exame?
Não. A maioria dos casos de esquecimento é investigada e acompanhada sem necessidade de biomarcador. Ele entra quando há dúvida diagnóstica real.

O exame de sangue substitui o PET amiloide ou o líquor?
Ainda não formalmente. É considerado um exame complementar de alta acurácia, mas os critérios diagnósticos oficiais no Brasil ainda apoiam-se principalmente em PET e líquor como métodos confirmatórios.

Convênio cobre algum desses exames?
Hoje, na prática, nenhum dos três tem cobertura consolidada pelos planos de saúde ou pelo SUS. Isso pode mudar, mas atualmente o custo é particular.

O resultado muda o tratamento?
Pode influenciar a decisão sobre terapias mais recentes voltadas para Alzheimer, que exigem confirmação biológica da doença antes de serem iniciadas. Fora esse contexto, o manejo clínico segue baseado principalmente na avaliação funcional e cognitiva.

Vou fazer o exame e já vou saber se vou ter Alzheimer?
Não é bem assim. O exame fala sobre patologia presente no cérebro agora, não é um prognóstico exato sobre o futuro.


Fontes

Observação: preços e disponibilidade de laboratórios mudam com frequência — vale confirmar diretamente antes de pedir o exame.