Fonte: Suemoto CK et al. The Lancet Regional Health — Americas, 2025
Fonte: Suemoto CK et al. The Lancet Regional Health — Americas, 2025
A ciência identificou 14 fatores de risco modificáveis responsáveis por 59,5% dos casos de demência no Brasil. Isso significa que mais da metade dos casos poderia ser evitada — ou pelo menos adiada — com mudanças concretas ao longo da vida.
Se você tem história de Alzheimer na família, isso é especialmente relevante. Genética aumenta o risco, mas não determina o destino.
Abaixo, cada um dos 14 fatores e o que fazer com eles.
1. Baixa escolaridade na infância
Menos anos de educação formal reduzem a chamada reserva cognitiva — a capacidade do cérebro de compensar danos ao longo do tempo. O que é possível fazer em qualquer idade: continuar aprendendo. Leitura, cursos, idiomas e instrumentos musicais. O cérebro que é desafiado regularmente envelhece melhor.
2. Perda auditiva não tratada
É o fator isolado de maior peso na lista mundial. Quando a audição cai e não é tratada, o cérebro passa a trabalhar mais para processar sons, às custas de outras funções cognitivas. Além disso, a perda auditiva favorece o isolamento social — outro fator da lista. Usar aparelho auditivo quando indicado não é frescura. É prevenção.
3. LDL elevado
Colesterol LDL alto por anos danifica vasos sanguíneos, incluindo os cerebrais. O controle lipídico faz parte da proteção cardiovascular e cerebrovascular. Acompanhamento médico regular e, quando necessário, tratamento adequado.
4. Depressão
Depressão não tratada por anos deixa marcas no cérebro — com impacto em estruturas diretamente ligadas à memória e ao funcionamento cognitivo. Não é fraqueza e não passa sozinha. Tratamento adequado, com acompanhamento profissional, faz diferença.
5. Traumatismo craniano
Trauma de crânio moderado a grave aumenta o risco de demência a longo prazo. Usar capacete em atividades de risco e cinto de segurança não é exagero.
6. Inatividade física
O exercício físico regular produz proteínas que protegem os neurônios e reduz risco cardiovascular, metabólico e depressivo — três outros fatores desta lista. 150 minutos de atividade moderada por semana é o mínimo recomendado. Caminhar conta, mas associar com exercícios de força é o ideal.
7. Diabetes
A glicose cronicamente elevada danifica vasos e tecido nervoso. Controle glicêmico adequado — com dieta, exercício e medicação quando necessária — é proteção cerebral, não só proteção metabólica.
8. Tabagismo
O cigarro é neurotóxico direto e acelera o envelhecimento vascular cerebral. Parar de fumar em qualquer idade reduz o risco. O benefício começa a aparecer relativamente rápido após a cessação.
9. Hipertensão
Pressão alta não controlada é um dos fatores mais prevalentes e mais silenciosos. Danifica vasos cerebrais pequenos ao longo de anos, muitas vezes sem qualquer sintoma. Medir, tratar e manter o controle.
10. Obesidade
O excesso de peso, especialmente na meia-idade, está associado a inflamação sistêmica, resistência à insulina e risco cardiovascular — todos com impacto cerebral. Manutenção de peso saudável é parte da equação.
11. Consumo excessivo de álcool
O álcool em excesso é diretamente neurotóxico. Não existe um nível de consumo comprovadamente seguro para o cérebro a longo prazo. Limitar o consumo é uma das medidas mais diretas desta lista.
12. Isolamento social
Um dos fatores mais subestimados. Isolamento crônico tem impacto cognitivo comparável ao tabagismo em alguns estudos. Manter vínculos reais — visitas, grupos, conversas presenciais — não é secundário. É proteção.
13. Poluição do ar
Exposição crônica à poluição está associada a declínio cognitivo acelerado, especialmente em áreas urbanas. Reduzir exposição quando possível e apoiar políticas de qualidade do ar faz parte do contexto.
14. Perda de visão não tratada
Assim como a perda auditiva, a perda visual não tratada reduz estímulos sensoriais, favorece isolamento e sobrecarrega outras funções cognitivas. Consultas oftalmológicas regulares e correção adequada são medidas simples e eficazes.
Demência raramente tem uma causa única. É o acúmulo de riscos ao longo da vida — muitos deles silenciosos, muitos deles tratáveis.
A avaliação geriátrica identifica quais desses fatores estão presentes, quais já estão impactando a cognição e o que pode ser feito agora, antes que o quadro avance.
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